Apologia do bolinho.

visibility46361 Vistas comment0 comentários person Postado por: Emmanuel Poulet-Harmel list Em: Blog de gourmets
Apologia do bolinho.
Apologia do bolinho.
O bolinho seria a mais ancestral das tradições culinárias, que testemunharia um momento de requinte na preparação dos pratos cozinhados.
Foi no norte da Índia, no Punjab, 4.000 anos antes de nossa era, que foram encontrados os restos de duas grandes cidades desaparecidas, Harappa e Mohenjo Daro.
Civilizações prósperas e avançadas, que tinham, entre outras coisas, cozinhas onde se encontravam utensílios: fogões de cobre, pratos e travessas, facas, pilões.
A pesquisa mostrou que as pessoas comem carne macia, cozida em óleo de gergelim e temperada com mostarda, açafrão e gengibre.
Devemos ver lá o primeiro ancestral do bolinho?
Se estiverem corretas, o bolinho não seria nem mais nem menos uma “invenção” contemporânea à da roda.
Desde então, os bolinhos estenderam sua soberania em todas as culturas e em todos os continentes: polpette, kefta, köttbullar, falafels, nuong, bitki, matzoh, knödel...
Qual gastronomia não conhece o bolinho, “à vontade em todas as cozinhas”?
Frito na frigideira, frito, cozido em molho, cozido no vapor, na sopa, em sanduíches, na pizza, cru, recheado; é a arte sutil de acomodar as sobras, o símbolo por excelência da cozinha familiar, nostálgica e econômica.
Que não teme variações, nem aproximações, nem improvisações. Basta combinar os ingredientes que fazem o par, carne picada, sobras de peixe cozido, leguminosas ou carne de enchido, adicionar algumas ervas aromáticas, especiarias, malagueta, alho, chalota, queijo, nozes ou frutos secos, um ovo para dar liga ao recheio e pão ralado para cobrir.
E entre as palmas das mãos, para se apropriar de um gesto imemorial, mil bilhões de vezes repetido.
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