O amor dos bretões pela manteiga com sal?
Que ideia estranha colocar sal em um produto lácteo!
A manteiga é usada há séculos e séculos, mas nem sempre como ingrediente culinário. Por muito tempo, povos como os romanos, gregos e egípcios o utilizaram como produto de beleza, na forma de creme e bálsamo contra queimaduras.
Na Idade Média, tornou-se comum os franceses colocarem sal na manteiga (“amann” em bretão), isso permitiu que ela fosse melhor preservada.
Mas em 20 de março de 1342, foi instituído um imposto que perturbou os hábitos franceses: a gabelle.
A gabelle era um imposto sobre o sal que era muito, muito caro para a população, tão caro que poucas pessoas podiam pagar. Isso forçou os franceses a remover o sal de seu consumo e se contentar com a manteiga macia.
Todos os franceses, exceto os bretões! Na época, a Bretanha era um território quase independente do reino da França. Esta independência permitiu que os bretões não tivessem que pagar o imposto do sal à monarquia francesa e, portanto, pudessem usar todo o sal de suas salinas.
O mineral produzido e colhido em grande quantidade era pouco vendido na França, pois além das fronteiras era preciso pagar impostos.
É por isso que os bretões conseguiram colocá-lo em todos os lugares e assim preservar seus alimentos. Prático em uma época em que a geladeira não existia!
A gabelle foi abolida em 1790 pela Assembleia Nacional logo após a Revolução Francesa. Mas o hábito culinário resistiu e persiste até hoje.
Desde então, foi comprovado que a adição de sal à manteiga ajuda a expulsar a água e, assim, realçar seu aroma. Mais um motivo para usar manteiga sem sal!
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